A diminuição de arboviroses em meio a pandemia do covid-19

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Dengue, malária, zika ainda existem, mas por que os números de casos estão tão baixos?

A pandemia da covid-19 assolou o mundo, deliberando uma emergência epidemiológica por todo o planeta, ocasionando em milhares de óbitos. Com isso, o foco das ações públicas e das mídias é, manter em alerta a população, e conscientizar os melhores métodos de prevenção. Consequentemente, outras causas virais saíram de enfoque, os arbovírus por exemplo, tangem um dos principais problemas de saúde pública do mundo segundo a OMS, principalmente em países tropicais e subtropicais, onde a transmissibilidade e susceptibilidade é alta. O principal transmissor de arboviroses corresponde ao mosquito Aedes aegypti, a forma de replicação e transmissão ocasionam em ciclo selvagem, e ciclo epidêmico.

Com uma morfologia menor que a maioria dos mosquitos, coloração preta, e manchas brancas espalhadas pelo tronco, patas e cabeça, adaptáveis em locais urbanos, pelo fato da plasticidade genética do RNA. Em geral altas temperaturas e intermitências de chuvas, tem-se altas taxas de proliferação quando há o contato com sangue humano, devido as quantidades de proteínas, e pela forma que os ovos são eclodidos em superfícies próximas de água. Mesmo com esses fatores, dados da Fiocruz, mostram um percentual baixo de mosquitos infectados, ainda que nem todas as fêmeas picam pessoas infectadas, e por um ciclo de vida curto, muitos vivem apenas como infectados, considerando que o período infectivo é de 10 a 12 dias. E mesmo com o percentual baixo o que permite a proliferação? Com a disponibilidade desses locais, permite a longevidade destes mosquitos.

E qual a relação desse vírus com a pandemia? Segundo o próprio site do governo de São Paulo, dois surtos podem ocorrer no mesmo período, as arboviroses e a Covid-19 são difíceis de distinguir pelas fases semelhantes, e por partilharem recursos clínicos e laboratoriais, originando diagnósticos incorretos e com alto risco de casos graves. Por conta dos fechamentos dos diversos estabelecimentos, muitas pessoas optaram por ficar em casa, evitando hospitais, levando a atrasos nos diagnósticos. O SES, no 6°boletim epidemiológico em meio a pandemia de 2020, observou uma queda da notificação de casos, devido as subnotificações. Outros dados apresentados pelo Sinan, mostram 16.966 casos de dengue em 2019, com 143,6 de C.I, em 2020 o número caiu para 1.973 casos com C.I de 16,6. Devido a mobilização das equipes de vigilância com o covid-19, o Sinan também relatou uma diminuição do número de casos a partir da 12° semana epidemiológica de 2020.

Embora a Covid-19 seja principal ponto de foco, esquecer-se de outras doenças pode agravar mais a saúde pública. Com a volta das políticas publicitárias, como o Sampa Dengue, no estado de São Paulo, que auxilia na classificação de risco e manejo clínico, a intervenção de infraestruturas relacionadas a limpeza urbana, a secretaria da educação e do meio ambiente que auxiliam na vigilância ativa, e as reuniões voltadas para monitoramento da resistência de inseticidas. Em teoria, aplicar tais políticas em estados de maior concentração do mosquito, reforça as notificações, de fato que nenhuma doença perde sua importância clínica ao deixar de ser prioridade.

 

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